Jornal Folha de São Paulo publica as projeções de aumento no carregamento até a Copa de 2014. A perspectiva é que o recorde de carregamento diário, que atingiu 4,5 milhões de passageiros no dia 7/10/2011 chegue a 5.8 milhões em 2014.
A mais afetada é a linha esmeralda (linha 9), que passou de 288 mil passageiros em 2010 para 469 mil apõs o início das operações da linha amarela do Metrô.
Veja a matéria publicada na Revista da Folha de 13/11/2011:
Lotação máxima
Linha esmeralda da CPTM registra o maior aumento de passageiros na cidade
ELVIS PEREIRA
Grávida, Gisele Ribeiro Adelungue, 23, às vezes embarca na estação Cidade Jardim, na linha 9-esmeralda, no trem que segue no sentido contrário ao da casa dela, em Interlagos, na zona sul paulistana. Não por distração, e sim por estratégia. “Vou até Pinheiros e volto, pois o vagão fica muito cheio aqui e não dá para entrar”, explica a bancária.
A manobra tornou-se comum entre passageiros da linha da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) para lidar com a lotação no trecho de Pinheiros, na zona oeste, a Santo Amaro, na sul. A esmeralda ganhou, do ano passado para cá, 181 mil usuários por dia, o maior crescimento em toda a rede de trens e metrô de São Paulo.
A chegada de mais passageiros, que vinha sendo registrada nos últimos anos, disparou a partir de junho passado, com a integração da esmeralda com a linha 4-amarela, do metrô. O ramal da CPTM passou, então, a canalizar o movimento proveniente da linha 5-lilás, que liga o Capão Redondo ao Largo Treze, e de bairros populosos como o Grajaú.
“A linha 9 teve um crescimento muitíssimo forte”, reconhece o secretário dos Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes. O aumento era esperado, mas não na proporção vista.
A diferença surgiu por conta do adiamento na entrega da extensão da linha lilás. Antes prevista para este ano, a primeira estação do novo trecho, a Adolfo Pinheiro, ficou para 2014 e a das demais dez paradas, até Chácara Klabin, para 2015.
“A falta da linha 5 tem deixado a 9 numa situação de muita dificuldade”, admite Fernandes. O motivo de tanto atraso, segundo ele, foi a suspeita de fraude no processo de escolha das empresas para executar parte da obra. Em 2010, a Folha mostrou que o resultado da licitação era conhecido seis meses antes. O Metrô suspendeu os contratos, mas em setembro deste ano decidiu mantê-los.
Com o impasse, o que se vê hoje são plataformas e trens carregados na esmeralda, a partir do fim da tarde. O vagão enche em Pinheiros, restando pouco espaço para quem o espera nas estações Cidade Jardim, Vila Olímpia, Berrini e Morumbi. “É uma lotação forte, mas abaixo da que vemos na linha 3 [vermelha]“, explica o secretário. A ocupação já ultrapassa o índice considerado aceitável, de seis passageiros por m².
Na Morumbi, formam-se ainda filas do lado de fora da estação após as 18h. Considerada “acanhada”, a plataforma não suporta a demanda, e a entrada de passageiros é retida nas catracas. “É mais seguro deixá-los fora da estação por questão de segurança”, diz Fernandes. “Estamos avaliando se aumentamos a plataforma ou criamos uma cobertura ao lado da marginal [Pinheiros], onde as pessoas ficam ao relento.”
Para tentar aliviar a situação nas plataformas, a CPTM agora desloca trens extras para atender o trecho de Pinheiros a Jurubatuba, enquanto outros fazem o trajeto normal de Osasco ao Grajaú. Há estudos para reduzir a sobrecarga em 2012. Porém, com cautela. “Seria irresponsabilidade fazer grandes investimentos, pois, quando a linha 5 ficar pronta, pode ficar ocioso”, diz o secretário.